Lançamento na FLIGÊ 2026 amplia a trajetória do romance do escritor baiano Alisson de Souza

A trajetória de Augustina, romance de estreia do baiano Alisson de Souza ganhará um novo capítulo em 14 de agosto de 2026, quando o romance será oficialmente apresentado durante a FLIGÊ – Feira Literária de Mucugê, um dos mais tradicionais e prestigiados eventos literários da Bahia. A participação na programação da feira representa um importante marco para a obra e para seu autor, aproximando o romance de um público formado por leitores, escritores, pesquisadores, estudantes e professores.

O lançamento na FLIGÊ ocorre em um momento especialmente significativo para Augustina, que já acumula uma recepção crítica positiva em veículos especializados do Brasil e de Portugal, consolidando-se como uma das estreias literárias brasileiras de interessante destaque em seu circuito editorial independente. A presença na feira reforça o percurso da obra para além das resenhas, promovendo o encontro direto entre autor e leitores e ampliando sua inserção no cenário da literatura contemporânea.

Augustina consolida boa recepção crítica e amplia seu espaço na literatura contemporânea brasileira

Publicado pela Editora Nauta em 2025, Augustina, romance de estreia do escritor baiano Alisson de Souza, nascido em Itaberaba e com vivências no Baixo Sul da Bahia, quando estudou na Universidade Estadual de Santa Cruz, vem conquistando espaço entre leitores e críticos especializados, consolidando-se como uma das estreias literárias brasileiras de boa repercussão no circuito editorial independente.

Ambientado no final da década de 1990, o romance acompanha a trajetória da jovem Augustina, personagem que, entre lembranças, fraturas familiares, descobertas afetivas e inquietações intelectuais, constrói uma jornada marcada pela busca de pertencimento e autonomia. 

Desde seu lançamento, a obra recebeu atenção de veículos dedicados à crítica literária. Entre eles, a Revista Navalhista, a Revista Foro Literário e a revista portuguesa Caliban, que destacaram aspectos distintos da construção narrativa e da linguagem do romance.

Na Revista Navalhista, o poeta e crítico Mayk Oliveira observa que “logo na sua estreia ergue um romance que se impõe, antes de tudo, pela força da narrativa”, ressaltando ainda “a cadência fluida das frases, o modo como as cenas se articulam, a escolha precisa das palavras e um uso inteligente das ambiguidades”. Para o resenhista, a obra revela uma escrita capaz de equilibrar cotidiano, memória e densidade emocional.

A recepção crítica também se estendeu à Revista Foro Literário, que dedicou uma resenha ao romance, destacando sua proposta estética e sua construção narrativa. O crítico literário e professor Cleber Teixeira destacou que “Augustina, romance de estreia de Alisson de Souza, propõe uma imersão densa e perturbadora na subjetividade de sua protagonista. Trata-se de uma obra que recusa a linearidade confortável e aposta na fragmentação como forma de traduzir o mal-estar existencial de uma geração atravessada por deslocamentos, heranças ideológicas ambíguas e um profundo sentimento de desenraizamento”.

A lusitana revista Caliban igualmente publicou uma análise da obra, ampliando a circulação crítica de Augustina para além do Brasil e inserindo o romance no diálogo da literatura contemporânea em língua portuguesa. Lorraine Ramos Assis, crítica literária, entendeu Augustina como um romance de forte densidade psicológica que, por meio do fluxo de consciência e de uma narrativa centrada na interioridade de sua protagonista, transforma uma experiência individual em reflexão coletiva sobre memória, amadurecimento, liberdade, relações familiares, independência feminina e os efeitos persistentes do conservadorismo e da misoginia, recusando soluções moralizantes e privilegiando uma construção literária pautada pela complexidade humana e pelo domínio dos recursos narrativos.

Ao reunir essas leituras, Augustina confirma uma característica pouco comum em romances de estreia: a capacidade de suscitar interpretações críticas variadas, mantendo uma identidade estética própria. A narrativa transita entre o cotidiano urbano, a memória afetiva, a reflexão filosófica e momentos do insólito, compondo uma obra que convida o leitor menos à busca de respostas definitivas e mais ao exercício permanente da interpretação.

Com uma linguagem marcada pelo fluxo de consciência, por digressões memorialísticas e por uma voz narrativa de forte personalidade, Augustina apresenta um projeto literário que aposta na complexidade da experiência humana e reafirma a literatura como espaço privilegiado para pensar a liberdade, os afetos e a construção da identidade.