Entre a dor e a lucidez: O retrato visceral das mazelas mentais em Sinthoma, de Victor Leandro 

 

A Editora Temiporã lançou, neste ano, Sinthoma, romance do autor manauara Victor Leandro. O escritor vem consolidando seu nome no cenário literário regional ao explorar, com profundidade, as tensões sociais e políticas que marcam a região Norte. Em 2025, com a publicação da novela Rio das Cinzas, Leandro já havia revelado o impacto severo da crise climática e a negligência do Estado diante das vulnerabilidades da população local. 

Em Sinthoma, o foco se desloca para um debate urgente e crescente: a saúde mental. À medida que os transtornos psiquiátricos se tornam mais visíveis na sociedade contemporânea, surge a inquietação: como as instituições e o poder público realmente lidam com essas pessoas? O livro não oferece uma resposta simplista, mas sim um convite contundente à reflexão.

 A narrativa acompanha o Dr. Hermes durante o último plantão de um hospital psiquiátrico em Manaus, às vésperas de sua desativação. Ao cruzar os portões, o médico encontra um ambiente inóspito e pacientes submetidos a um estado de total desamparo. O impacto das histórias de abandono e exclusão social que encontra ali levanta uma questão central: para onde essas pessoas serão levadas? 

A trama ganha contornos mais complexos com a Dra. Ana, uma figura enigmática que convida Hermes a percorrer uma noite marcada por revelações. Mais do que o hospital, o autor desvela uma cidade também sintomática, que agoniza sob o abandono estatal. Com uma linguagem fluida, Victor Leandro conduz o leitor por uma jornada tensa e necessária. Sinthoma é uma obra fundamental que reacende debates adormecidos, mas que, silenciosamente, corroem o tecido da nossa sociedade. Deve ser lido.